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Travessia da Serra Fina – Preparação e Organização

Há alguns meses atrás fui convidado pela Gisely do blog A Montanhista para realizar a tão famosa Travessia da Serra Fina. Não pensei duas vezes, afinal era a oportunidade de fazer essa que é uma das mais clássicas, desafiadoras e bonitas travessias do montanhismo brasileiro.

Ok, não vou começar dizendo que é a travessia mais difícil do Brasil, mas também não é a mais fácil, – nem a média! – é uma travessia sim bem pesada, que requer no mínimo um certo nível técnico (equipos) e físico.

Amanhecer nas lindas cadeias da Serra Fina

Amanhecer nas lindas cadeias da Serra Fina

A Serra Fina marca a divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais abrangendo também o estado do Rio de Janeiro, e faz parte da imponente Serra da Mantiqueira que é um dos meus lugares preferidos – então já viu né? O fato de ter um dos maiores desníveis topográficos do Brasil (cerca de 2100 metros) e de ter pouquíssimos pontos de água durante o caminho, dá a ela essa tal fama de mais difícil do Brasil – realmente ela não é a mais difícil, mas vamos combinar, ela é pesadinha!

PREPARAÇÃO e DESORGANIZAÇÃO

A preparação dos equipamentos pra dizer bem a verdade começou só um dia antes de fato – isso porque eu sou bem relaxado mesmo, não façam isso! – A Gisely como já tinha feito a travessia nos deu algumas dicas antes e ajudou muito! A questão é, o que é essencial levar e como diminuir o máximo esse peso nas costas.

Água

Água

A água é um dos grandes problemas da Serra Fina, como eu disse, existem pouquíssimos pontos de água, isso faz com que você tenha que andar bem pesado todos os dias e economizar na hora de beber e fazer as refeições. Logo no começo da trilha existe o primeiro ponto de água, porém a Gisely nos alertou da dificuldade de conseguir coletar nesse ponto, então decidi sair de casa com 3 litros de água no “camelbak” mais 2 Gatorades, totalizando 4 litros – pra quem ia andar 4 dias com esse peso nas costas, um trajeto de ônibus e metrô até a rodoviária não ia fazer diferença, vai!

Alimentação

Alimentação Outdoor

Esse é uma das partes que eu mais gosto de organizar em um trip outdoor, isso porque eu curto bastante o fato de ter que cozinhar no mato. Para uma travessia como essa, peso, volume e valor calórico dos alimentos contam bastante, além disso também é importante pensar na quantidade e peso do lixo que será gerado desse batalhão de comida (lembre-se que o lixo SEMPRE volta com você), sem contar o fato de que para preparar esses alimentos o processo deve requerer o mínimo de água possível – CARACA, quanta coisa pra pensar!
Então o que levei? Basicamente baseei os carboidratos naquelas tortilhas/pães Rap10 (são ótimos porque não amassam, e o pacote já vem o fecho “ziplock”) e de proteína levei salame e linguiça defumada (já que não precisam de refrigeração – se bem que com o frio que estava lá…) e daí completei o cardápio com sopas instantâneas, seleta de legumes e guloseimas para ir beliscando no caminho.

Equipamentos

Uma boa barraca que aguente vendo fortes é essencial na travessia

Uma boa barraca que aguente vendo fortes é essencial na travessia

A parte mais pesada e volumosa, e também a mais essencial, claro. Basicamente, bem por cima, uma barraca com boa impermeabilização e que aguente ventos fortes (vimos barracas da VIVO serem esmagadas pelo vento…), um saco de dormir de baixas temperaturas, (meu saco não era de baixas temperaturas, então levei uma manta extra e o saco de dormir de emergência – só precisei usar a manta, mas vi gente usando o saco de emergência também) isolante térmico, e acessórios para cozinhar. Só isso já ocupou quase toda a minha mochila!
Outro item muito importante é o GPS, apesar da maioria do caminho ser marcado por totens e fitas, a navegação em muitos pontos é difícil – não dê mole de se perder por lá, é enrascada certa!

Vestuário

Roupas, a maioria tudo no corpo

Roupas, a maioria tudo no corpo

Quanto as roupas, levei o necessário e o essencial, praticamente tudo no corpo. Mas tudo que levei usei, e usei bem! Segunda pele (camisa e calça), fleece, corta-vento e anorak – a noite o esquema era vestir tudo que tinha, entrar no saco e torcer para não passar frio, até que deu certo!

Uma boa bota impermeável também é essencial, a trilha passa por muitos lugares escorregadios e também alagados, sem falar que andar pirambeira pra cima e pra baixo com qualquer calçado é roubada!

No total minha mochila fechou com 20kg. Bom, deu para perceber que eu não sou o mestre da cargueira leve, mas considerei um peso OK para uma travessia de 4 dias.

No próximo post você confere o relato completo dessa incrível travessia!

 

Keisuke Kira
Sobre Keisuke Kira

Paulistano, estudante de biologia, amante de fotografia. Adora a cidade mas prefere a montanha. Como todo biólogo ama estar no mato. Curte um pedal, trekking, e viagens nem se fala! Mais posts

1 Comentário on Travessia da Serra Fina – Preparação e Organização

  1. Legal!! Ótimas dicas

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