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Relato – Trekking Mantiqueira

A ideia de fazer um trekking pela mantiqueira surgiu da minha paixão por essa região junto com a vontade da minha amiga Carol de realizar o famoso Caminho da Fé, como não tínhamos muito tempo, resolvemos realizar apenas um pequeno trecho do caminho, escolhemos então caminhar desde a cidade de Paraisópolis – MG até Aparecida – SP.

Após algumas semanas de preparação e planejamento, marcamos a data, por volta do dia 28 de janeiro. Encontrei com ela na rodoviária do Tiête por volta das 12 horas e pegamos um ônibus direto para a cidade de Paraisópolis, as cidades que lembro ter passado na viagem foram São José dos Campos e Santo Antônio do Pinhal, nas outras com certeza estava dormindo.

Veja também: Como se aventurar causando menos impactos na natureza.

Chegamos na rodoviária de Paraisópolis às 17 horas aproximadamente, descemos com os mochilões e procuramos informações sobre a Pousada da Praça, um taxista nos deu a informação que ficava no centro da cidade, da rodoviária até a pousada foram 10 minutos de caminhada, mas numa pirambeira que dava até medo de sair rolando!

A pousada é muito simpática, limpa e confortável, a recepcionista também é muito atenciosa, foi umas das melhores pousadas que já visitei, a simplicidade do lugar é maravilhosa.

Largamos nossas mochilas na pousada e fomos conhecer o centro e procurar alguma coisa para comer, a cidade é bem pequena, conhecemos o centro todo em 15 minutos, como estava tendo missa na igreja matriz ,o centro até que estava bem movimentado. Jantamos em um trailler de lanches da praça central e voltamos para a pousada para descansar.

Acordamos 7 horas e arrumamos nossas tralhas, o café da manhã foi muito bem servido, bem variado e com gosto de fazenda! Partimos da pousada às 8 horas com um céu ainda fechado, mas não demorou muito e o tempo abriu de vez!

Para quem não sabe o Caminho da Fé é todo marcado com setas e placas que dão as distâncias restantes até Aparecida, aí ficou fácil se localizar e encontrar os caminhos.

Um fato interessante sobre o caminho da fé, é que os peregrinos são muito bem vistos pelas comunidades por onde o caminho passa, não é pra menos, eles movimentam a economia de muitas cidades e vilarejos, tanto em restaurantes e mercadinhos como nas pousadas. Nós vivenciamos essa situação muitas vezes, as pessoas sempre te desejam boa caminhada, oferecem água, e até comida! Um senhor que vendia bananas nos ofereceu um cacho inteiro e mais algumas frutas, isso é uma das melhores coisas de qualquer viagem na minha opinião, o convívio com as pessoas.

Saindo da cidade, pegamos um pequeno trecho de asfalto e logo entramos na estrada de terra, esse trecho é cheio de subidas bem pesadas que diminuem o ritmo bruscamente, ainda mais próximo ao meio dia!

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Ao longo do dia fizemos diversas paradas, porque as mochilas estavam bem pesadas, na mochila além das roupas, carregávamos barraca e material para cozinhar, porque nosso objetivo era acampar também, diferente da maioria dos peregrinos que dormem em pousadas credenciadas pelo Caminho. O primeiro almoço foi água, milho e só!

Ao final do dia chegamos ao distrito de Luminosa da cidade de Brazópolis-MG, um vilarejo literalmente cercado pelas montanhas da mantiqueira, avistar a cidade de longe é um espetáculo à parte. No distrito paramos em um mercadinho e compramos algumas coisas para preparar a janta.

Próximo a saída do perímetro “urbano” entramos em um propriedade e pedimos para montar acampamento ali no quintal da casa, a dona da casa, Dona Durvalina, muito simpática nos ofereceu até banho!

No dia seguinte, acordamos cedo, arrumamos tudo e partimos pra mais um dia inteiro de caminhada. O trecho desse dia foi extremamente pesado, se resume a pirambeiras e pirambeiras até Campos do Jordão já no estado de São Paulo. Apesar de difícil, é um trecho lindo, ver aquele mar de morros de cima é incrível!

Como previsto paramos uns 10km antes da cidade de Campos pois já estava escurecendo e o tempo estava fechando. Conhecemos o Xitãozinho no caminho que nos ofereceu sua casa para passarmos a noite e uma bela janta feita no fogão à lenha. O bom de viajar por esse lugares são as pessoas muito hospitaleiras e atenciosas, coisa difícil de se encontrar na cidade. Infelizmente não tiramos fotos com o Xitãozinho, figuraça, engraçado, e de uma bondade sem igual!

No dia seguinte, partimos bem cedo da casa do Xitãozinho para aproveitar o dia em Campos do Jordão. Chegamos na cidade mais ou menos 10 horas, procuramos a pousada “Refúgio dos Peregrinos”, um lugar muito aconchegante, os proprietários são muito gentis e simpáticos. Deixamos os mochilões na pousada e como a Carol não conhecia Campos, levei-a para o Capivari.

No dia seguinte, pé na estrada de novo, agora deixando Campos em direção a Pindamonhangaba, trecho de descidas infinitas, o que melhora e muito o ritmo da caminhada. A partir de certo ponto começamos a caminhar sobre os trilhos da ferrovia Pinda-Campos, até a estação de Santo Antônio do Pinhal. Almoçamos em baixo dos trilhos da ferrovia, a beira de um riacho. Ao final do dia estávamos no bairro de Piracuama, já em Pindamonhangaba, dormimos na “Pousada das Freiras”, local simples e limpo, porém acho que cobram um preço acima do que oferecem.

Partimos cedo do Bairro de Piracuama para o último dia de caminhada, para chegar em Aparecida restavam ainda 40km! Mas como esse último trecho foi todo pelo asfalto, o ritmo é melhor.

Chegamos na cidade de Aparecida aproximadamente às 17:30h, conhecemos a Basílica que eu só tinha visto da Dutra muitas vezes, mas nunca de perto, a construção é gigantesca e muito bonita, depois de algumas fotos e um descanso fomos para a rodoviária que fica quase ao lado da Basílica. Voltamos para São Paulo no ônibus das 21:00hr. com muitas dores, bolhas, amizades e uma aventura na bagagem!

Se você se interessou, e está pensando em realizar o Caminho da Fé ou apenas um trecho dele como nesse relato visite o site oficial do caminho: http://www.caminhodafe.com.br/

Keisuke Kira
Sobre Keisuke Kira

Paulistano, estudante de biologia, amante de fotografia. Adora a cidade mas prefere a montanha. Como todo biólogo ama estar no mato. Curte um pedal, trekking, e viagens nem se fala! Mais posts

2 Comments on Relato – Trekking Mantiqueira

  1. Nossa Keisuke, adorei esse trekking! Eu ainda não conhecia, mas agora já está anotado rsrsrs Muito bom o relato!

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